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Estimativas

Antes de falar de estimativas é preciso reforçar a importância dos itens à estimar, ou seja, antes mesmo de determinar o esforço referente aos futuros trabalhos do Time, é preciso saber em que o Time deve trabalhar primeiro.

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Importância e Prioridade

No Scrum é decisivo definir as prioridades, ou importâncias, dos itens de Backlog que serão implementados. Porque? Bom, é fácil entender, o Scrum defende que se deve investir mais detalhamento, mais análise e mais esforço aos itens mais importantes do Backlog, onde devemos entender o termo importância como: O que agrega mais valor ao cliente que utilizará o produto.

Mesmo assim, porque trabalhar primeiro com os mais importantes? Por que são estes itens que realmente farão diferença ao cliente na entrega que ele espera receber, então estes itens geralmente são os maiores, ou os mais complexos, e por consequência são os itens que sofrerão mais com os riscos e mudanças. Então se os maiores riscos geralmente estão nos mais importantes, é melhor tratá-los o quanto antes porque é no início que o Time terá tempo de recuperação e adaptação.

Dica: Não pense no que é mais importante para você, ou para a sua visão de importância para o projeto. Pense na visão do cliente, pergunte a ele, converse com os stakeholders e entenda com eles o que é realmente mais importante para o projeto.

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Definindo a Importância

A forma mais comum de priorizar itens é usar a contagem de 1 à 10, sendo que o mais importante é o 1, e os menos importantes vão se seguindo até o 10. Porém, geralmente no Scrum se prefere trabalhar com importância ao invés de prioridade, que é simplesmente quanto maior o número, maior é a importância.

A primeira diferença no uso da importância é que o maior número é sempre o mais importante, e outra é que simplesmente se elege um valor qualquer para ser o item mais importante, por exemplo 100, e os itens menos importantes recebem um valor qualquer abaixo de 100, mas com um intervalo razoável, por exemplo 80. Isso permite que se durante as próximas análises dos itens for descoberto um menos importante que o 100 e mais importante que o 80, é possível encaixá-lo sem mexer na priorização dos outros e sem repetir uma importância já utilizada.

E se aparecer um item mais importante que o 100 neste caso da importância? Simples, diga que ele vale 120, por exemplo, com a importância não é preciso se prender a intervalos pré-definidos.

Esta é maneira mais fácil de determinar uma ordem de importância para todos os itens de Backlog, permitindo também definir uma importância distinta para cada item de Backlog, não sendo necessário repetir prioridades ou refazer a priorização por falta de números.

Dica: Procure dar uma importância distinta para cada item, isso realmente vai ajudar no futuro a saber rapidamente qual item é mais importante que um outro. Tenha em mente que em um momento de decisão sempre há algo mais importante.

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Super Dica

Para saber o que é mais importante, use também a técnica MoSCoW.

Separe primeiro suas estórias de acordo com a indicação MoSCoW, sendo que os itens “Tem que ter” (Must have) e “Deveria ter” (Should have) devem ser os primeiros da sua lista, e o “Poderia ter” (Could have) e o “Gostaria de ter” (Would have) ficam no final da lista, inclusive o último pode ser considerado em versões futuras.

É uma ótima técnica para ser exercitada pelo Product Owner em conjunto com o cliente, pois facilita o entendimento do que realmente é importante para o projeto.

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Estimando Estórias e Tarefas

Com o Backlog da versão de entrega realizado, priorizado de acordo com as importâncias e apresentado ao Time, chega a hora de estimar as estórias e as tarefas para que seja possível montar os pacotes a serem realizados nas Sprints.

1. Planning Poker Cards

O Planning Poker é uma técnica que auxília na estimativa de estórias e tarefas baseada no consenso de todo o Time, onde é utilizado um conjunto de cartas com valores específicos que podem representar Story Points (Pontos por estória) ou até mesmo horas.

O seu uso é simples, o Product Owner ou um membro do Time apresenta a estória ou tarefa ao Time, e, após uma breve discussão, cada um escolhe uma carta e a coloca virada sobre uma mesa. Quando todos colocarem as suas cartas, elas são viradas e caso não haja consenso entre as cartas escolhidas as diferenças são discutidas de forma breve, e uma nova rodada acontece até que haja convergência e consenso entre todo o Time.

Dica: As discussões devem ser breves e objetivas, caso contrário as estórias ou tarefas não estão prontas para estimativas, e devem ser mais detalhadas e entendidas antes de uma nova estimativa.

O Planning Poker é praticamente um jogo e tem suas regras, vamos conhecer um pouco algumas delas.

  • As cartas numeradas são doze: 0 (zero), 1/2 ou 0,5 (meio), 1, 2, 3, 5, 8, 13, 20, 40, 100.
  • As cartas com símbolos são duas: ? (interrogação) e a com um desenho de uma Xicará de Café.

Para entender o uso destas cartas em uma estimativa, o primeiro passo é entender as cartas especiais, que são:

  • 0 (zero): Representa uma estória ou tarefa já concluída, ou com um tempo muito curto para conclusão, que não vale a pena ser mensurado, como por exemplo alguns poucos minutos.
  • 100 (cem): Representa que uma estória ou tarefa está muito grande, e o ideal é que seja quebrada em mais estórias ou tarefas, pois inclusive, o risco de estimar errado se torna alto em estórias ou tarefas muito grandes.
  • ? (interrogação): Representa que a estória ou tarefa está indefinda, e que além de não ser possível entender o seu tamanho, não se consegue nem dizer se é muito pequena ou muito grande.
  • “desenho da xicará de café“: Representa que o integrante do Time está sugerindo uma pausa para um café, uma água, ou simples descanso, devido ao tempo da reunião estar muito longa e estar gerando cansaço.

Bom, agora é jogar, ou melhor estimar. O formato apresentado aqui é apenas um estilo de estimar com o Planning Poker, mas é uma sugestão de uso que funciona bem.

Outras Dicas: Algumas outras dicas são interessantes quando se usa o Planning Poker.

  1. Caso as cartas “?” ou 100 (cem) ganharem uma estimativa, significa que o Time deve devolver a estória ou tarefa ao Product Owner, para novo detalhamento, divisão ou entendimento.
  2. Caso o Time não chegue em um acordo sobre a estimativa de uma estória ou tarefa, mais de uma rodada deve ser realizada, sempre havendo breves discussões entre uma rodada e outra. Porém, o número de rodadas deve ser limitado, e caso o limite seja atingido sem o acordo, o Time deve optar pela estimativa mais alta.
  3. Geralmente se limita o número de rodadas para estimativa em no máximo quatro por item.
  4. Em um Time, a velocidade do mais lento deve ser considerada a velocidade do Time todo. Por isso quando o Time não chega em um acordo, a estimativa mais alta deve ser considerada como a melhor para o caso.

Encerramento da estimativa: A cada item estimado, o Time deve pegar a próxima estória ou tarefa pela importância, e continuar neste processo até os itens terminarem, ou até o tempo da reunião acabar.

Dica: O Planning Poker é sugerido quando o Time é novo no Scrum, e quando os integrantes ainda são muito influenciáveis pelas opiniões dos outros

2. Homem/Hora

Esta é sem dúvida a estimativa mais conhecida de todas, e pode ser utilizada com as estórias, porém o seu uso mais comum no Scrum é para a estimativa das tarefas.

Esta estimativa não tem segredo, é quando o Time entende as tarefas e determina quantas horas de esforço são necessárias para terminar a tarefa específica.

Também deve haver um consenso entre o Time na determinação destas horas, e quando se usa o Scrum, a sugestão é que as tarefas tenham no máximo 8 horas ou menos. Com isso não haverá tarefas maiores que um dia. Esta técnica facilita as estimativas, pois quanto menor as tarefas dentro de uma estória, mais fácil fica acertar a previsão de término.

Dica: O tempo por homem/hora é usado em conjunto com o Planning Poker para realizar estimativas.

3. Story Points ou Pontos por Estória

Story Points são uma forma relativa de medir o tempo necessário, ou o esforço, para se implementar uma estória.

Destina-se a ser uma forma de se estimar a dificuldade sem se comprometer com uma duração de tempo específico, de modo que as variações no tamanho da equipe não afete as estimativas.

Os valores 1, 2, 3, 5, 8, 13, 20, 40 e 100 contidos nas cartas do Planning Poker representam o formato mais utilizado de pontuação em Story Points. O significado dos valores é relativo, onde uma estória de pontuação 8 demanda aproximadamente quatro vezes mais esforço que uma estória de pontuação 2.

Para começar a estimar, o Time pega a estória que julga ser a de menor esforço e atribui a pontuação 2. As demais estórias deverão seguir uma pontuação relativa a essa primeira, chamada de referência.

Dica: Story Points é geralmente a referência de medida de esforço mais utilizada no Planning Poker.

4. Tamanho P, M ou G

Uma outra forma de estimar as estórias é o tamanho P, M ou G. Neste caso geralmente é utilizado apenas para as estórias, não para as tarefas.

Neste caso o Time pega a estória que julga ser a de menor tamanho, ou de menor esforço, e atribui o tamanho P. Esta estória será conhecida pelo Time como referência, e deve ser utilizada como base ao Time para determinar o tamanho das demais estórias.

Dica: Não é o propósito, mas pode ser associado uma média de horas, ou pontos por estória a cada tamanho P, M ou G utilizado, com isso é mais fácil associar o tamanho ao que se prentende fazer.

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